Um ambiente seguro para poder relaxar – como cuidar da gente sem (tanto) estresse | Edição #5
- Eduardo Pacífico e Valentin Conde

- 29 de jun. de 2021
- 3 min de leitura
Você tem sentido algum grau de ansiedade, estresse ou piora na sua saúde mental? Você não está sozinha(o). De acordo com a OMS, desde 2017, o Brasil é o país com maior número de pessoas diagnosticadas com transtorno de ansiedade. Na docência os números são ainda mais alarmantes. Segundo a pesquisa da Associação Nova Escola, em 2018, 68% dos docentes brasileiros se percebiam ansiosos. Na edição de 2020 da mesma pesquisa, 72% dos docentes perceberam piora na saúde mental, queixando-se de altos níveis de estresse, ansiedade e depressão.
Parece o caos. E agora? Calma... Respira... Vamos juntos.
A pergunta que pode nos afligir é: Como podemos nos manter firmes nesse contexto e ainda contribuir para o bem-estar de nossas comunidades? Obviamente a resposta para uma pergunta complexa é uma resposta complexa! Mas que pode ser entendida em partes. Vamos lá:
Em nossos últimos encontros aqui na revista falamos sobre duas qualidades essenciais: autocompaixão e autoconsciência. Em resumo, sermos capazes de perceber e acolher nossas sensações e pensamentos, praticando o autocuidado, tratando à nós mesmos como um bom amigo trataria.
Completando a resposta, podemos dar o passo seguinte: cultivar a autorregulação. Essa é uma das cinco grandes competências socioemocionais e ela envolve habilidades como perseverança, estabelecimento de metas pessoais e coletivas, e principalmente, utilizar estratégias para gerenciar estresse.
Repararam que nós falamos “gerenciar” e não “acabar”? Pois é! O estresse, em si, não é ruim. Ele é apenas uma resposta fisiológica que prepara nosso corpo para as situações potencialmente adversas em nosso dia a dia. Ou seja, estressar-se é importante. Se você estiver em um prédio onde há um incêndio, ao ouvir o alarme, a resposta mais correta seria dirigir-se rapidamente e atentamente para a saída de emergência mais próxima, certo? Não seria correto sentar-se para relaxar num momento como esse. O problema é quando vivemos o estresse tóxico (também conhecido como distresse), um estado em que, mesmo na ausência de alguma ameaça, nossos corpos continuam emitindo sinais de medo e tensão. Sabe quando você acorda estressado, passa o dia estressado e dorme estressado, mesmo sem nenhuma ameaça... Esses estados prolongados de estresse são muito nocivos para nossa saúde e para nossas aprendizagens.
Agora sabemos que não é preciso (e nem recomendado) eliminar o estresse, mas apenas gerenciá-lo. Como fazer isso? Eu aposto que você sabe a resposta. Com certeza você já pediu para algum estudante respirar fundo, contar até dez. Talvez alguém já tenha te ajudado numa situação como essas, pedindo que você se acalmasse. Na realidade, basta conectar-se com as sensações agradáveis: o que você gosta de fazer, que te acalma? Algumas sugestões: tomar um copo de água lentamente, prestar atenção na respiração, contar até 10, ouvir uma música reconfortante, dar um abraço em alguém querido, brincar com seu filho ou neto, passear com o seu animal de estimação, dançar... O segredo é ter atenção gentil e consciente aos nossos corpos e seus sinais. Assim acharemos os caminhos para recuperar o bem-estar até nos momentos mais desafiadores. Acredite, tomar alguns segundos para se acalmar é o que está entre você e um possível sentimento de culpa.
Gostei! Mas como levar isso para meus estudantes? Uma boa forma de abordar esse tema é imaginando que nós somos casas e que nossos corpos e sentidos são como sistemas de segurança que percebem as coisas ao nosso redor. Quando algo que parece perigoso chega muito perto, nossos alarmes soam para nos alertar. Em nossos corpos, esses alarmes são sinais como nossos corações batendo forte, nossa respiração ofegante, nossa agitação física, por exemplo. Ao perceber isso, fazemos coisas para evitar esse perigo. Depois que passou, cuidamos para fazer o alarme parar de soar e voltamos para o conforto de nossas casas. Cultivar autorregulação é como aprender as senhas desse sistema de segurança, é saber controlar os alarmes, ter mais controle sobre nossos estados internos. Ninguém quer deixar o alarme ligado o tempo inteiro, certo?
Mas, como canta Bon Jovi, não somos ilhas. Somos arquipélagos, vizinhanças, interdependentes e interconectadas. Por isso, quando um alarme soa, a vizinhança toda acaba ficando vulnerável. Dessa forma, encorajamos o cultivo da autorregulação num princípio comunitário, onde qualidades como a resiliência e o autocontrole são cultivadas de forma intencional e coletiva, sem nenhuma conotação punitiva. Quando desenvolvemos estratégias para apagar o fogo em nossos quintais, protegemos as casas ao redor e vice-versa.
E você, qual é a sua estratégia para desligar seu alarme? Compartilha com a gente!





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