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Fomos feitos para navegar pelas emoções: que tal levar seus estudantes para um passeio? | Edição #3

Em nosso último encontro aqui em Compaixão na Escola falamos sobre uma escola pelo afeto, mote que pode ser uma utopia para alguns, mas é algo muito sério e factível para nós. Vamos caminhar juntos nessa construção?

Para iniciar, uma dúvida comum: e se simplesmente eliminarmos as emoções desagradáveis? Nada de raiva, tristeza ou medo... Que tal ignorarmos essas emoções? Bom, não é simples assim.

Em 1994, o pesquisador estadunidense Robert Levenson publicou os resultados de uma pesquisa sobre as emoções e o princípio de supressão. Em seu experimento, Levenson pediu que pessoas assistissem ao mesmo filme (contendo cenas disparadoras de emoções de valência negativa como medo e nojo), mas metade dos sujeitos foram instruídos a suprimir as emoções enquanto assistiam o filme, ou seja, não deveriam fazer caretas ou gestos de aversão. O pesquisador mediu várias funções corporais e descobriu algo muito valioso: os sujeitos no grupo de supressão, apesar de terem conseguido disfarçar a aparência das emoções, tiveram um aumento muito maior nas respostas internas de estresse. A hipótese construída pelos cientistas é que quando nos esforçamos para “não sentir” acabamos por sentir mais. Inibir os sinais das emoções demanda muito esforço pois é como ir contra nossa natureza.

Entendido que forçar uma supressão não me ajudará. Então o que fazer?

Primeiro passo: aceitar. Se temos essas emoções é porque elas são evolutivamente estáveis e importantes para nossa vida. Como diria Sartre, uma emoção não é um acidente, mas efeito da própria realidade humana. Mas que realidade humana é essa?

Nossos corpos e mentes estão integrados numa missão superimportante: nos manter vivos e saudáveis. Para isso, nossos sentidos estão sempre buscando a melhor forma de cuidar da gente.

Imagine que somos uma casa e nossos sentidos são um sistema de segurança. Se algum invasor aparecer, o alarme dispara. Ótimo! Ele está me alertando de um perigo. Você tiraria o alarme de sua casa? Provavelmente não... Sem ele, talvez não percebêssemos a cozinha pegando fogo.

Mas o que é o alarme nessa história? Nossas emoções desagradáveis! Elas são mensagens que nos ajudam a notar e comunicar nossas necessidades.

Maravilha: aceitei que não faz sentido inibir as emoções, reconheço a importância delas como um alarme, mas e agora? Meu alarme está ligado 24h por dia / 7 dias por semana...

Então, hora de mudar. Quando a percepção de perigo passa, o sistema precisa parar de soar o alarme e daí poderemos ouvir música, ler e conversar dentro dessa casa. Isso seria equivalente aos sentimentos agradáveis, que nos ajudam a florescer.

Chegamos a conclusão que as emoções são nada mais do que a comunicação das nossas necessidades e elas nos ajudam a desenvolver mais autocompaixão e compaixão com os outros. As emoções não são “caprichos” ou “chiliques”, mas pistas para navegar no nosso mundo interior e nas nossas relações com mais bondade. Seria como possuir um mapa da mente onde cada emoção é uma geografia que exige algum tipo de cuidado e atenção. Sabemos que alguns lugares podem ser cultivados em determinadas épocas, mas outros passam por condições extremas (emoções desagradáveis) e precisam de tempo para se recuperar e então serem cultivados. Viajar com um mapa nos dá liberdade para escolher nosso destino e as ferramentas que precisamos na jornada.

Na sala de aula isso implica na observação aberta dos estudantes e situações de aprendizagem. Essa atitude de abertura diante das experiências nos permite escolher nossas respostas nas diferentes situações ao invés de simplesmente reagir à elas. O alarme soou? Perceba, compreenda e responda conscientemente para que o alarme desligue. Não simplesmente reaja e deixe o alarme ligado.

Que tal convidar seus estudantes para essa jornada? Assim todos poderão se tornar excelentes cartógrafos!

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