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Relacionamentos e Conflitos | Edição #9

Você já cuidou de uma planta, mesmo que seja de um feijãozinho no algodão? Se quiser que ela cresça e floresça, você tem que regar, colocar no sol, trocar de vaso quando não cabe mais. Tem que aprender quanta água, quanto sol e quais nutrientes ela precisa. As relações sociais são muito parecidas com o cuidado com as plantas. As habilidades necessárias para nutrirmos relações saudáveis podem ser aprendidas e desenvolvidas.

O ambiente escolar não é uma exceção; o processo de aprendizagem é de cunho social, e o aprendizado é facilitado ou dificultado pela forma como os membros da comunidade conseguem se relacionar e se comunicar uns com os outros.

Esse tema é fundamental para todos os seres humanos: pesquisas têm sugerido que o principal fator determinante de bem-estar e felicidade são relacionamentos saudáveis e significativos.

Mas afinal, como podemos ter bons relacionamentos? No mês passado, falamos sobre a importância da compaixão como ingrediente essencial para o convívio ético. Relacionar-se de forma gentil não significa a ausência de conflitos. Muito pelo contrário, sugerimos que os conflitos sejam valorizados. Pode parecer contraditório mas, como nos ensina Mario Sérgio Cortella, relacionamentos incluem necessariamente discordâncias e conflitos, e isso é ótimo! Em seu livro “Viver em Paz para Morrer em Paz: se você não existisse, que falta faria?”, Cortella explica:


“A concordância faz com que permaneçamos estacionados. A discordância faz com que cresçamos. A palavra 'concordância' vem de cor, 'coração', e significa unir os corações. Discordar, por sua vez, é promover a separação dos corações, algo que possibilita o desenvolvimento pessoal. Assim, para estimular o crescimento do outro e de si mesmo, Paulo Freire primeiro acolhia seu interlocutor, colocava a mão em seu ombro, estabelecia uma ligação. Depois, quando era o caso, discordava, sempre aberto a acolher em si a discordância do outro e, portanto, a aprender.” Para concordar ou discordar, é preciso desenvolver interesse genuíno no outro, em sua história e nas suas necessidades também. Como disse Rubem Alves, “É na escuta que o amor começa. E é na não escuta que ele termina”.

Para nutrir esse interesse podemos utilizar a escuta empática. Ela envolve a capacidade de escutar os outros de forma aberta e atenta, evitando julgamentos e interrupções. Essa qualidade pode ser exercitada por meio dos “diálogos conscientes”, conversas nas quais os participantes se revezam respondendo perguntas sem interrupções ou comentários, conselhos ou dicas. Você já esteve nesse lugar, o de ser ouvido com atenção e abertura? Ser ouvido com atenção e entrega pode ser uma experiência realmente importante para ressignificar nossos problemas e olhar para nossas histórias sob novas perspectivas. É como se tivéssemos um novelo e fossemos transformando-o em uma bela peça de crochê, reorganizando aquilo que estava misturado e desorganizado.


Você já ouviu com atenção, sem julgamentos, comentários, questionamentos ou interrupções, você já tentou? O papel da docência, às vezes, pode ser um obstáculo nesse sentido. Como professores e professoras, nos sentimos na obrigação de ter respostas para problemas e soluções para conflitos. Porém, repousar no simples ato de ouvir, sem a ansiedade por respostas e soluções, pode ser muito prazeroso para você e muito saudável para seus estudantes. Que tal experimentar?

 

Nesse sentido, é importante lembrar que a escuta empática não significa necessariamente concordância. É possível ouvir sem concordar, e tudo bem! A empatia é uma escolha consciente, e podemos entender os motivos de determinados comportamentos, mas permanecer discordando.

Marshall Rosenberg, psicólogo americano que desenvolveu a comunicação não-violenta (CNV), enfatiza a importância de nos expressarmos de maneira genuína, mas cuidadosa, evitando julgamentos. Essa forma de comunicação está focada nas necessidades, com abertura para divergências. O resultado desse processo é a comunicação hábil, que é a capacidade de comunicar necessidades e opiniões de forma respeitosa e articulada, preparados para conflitos que nos façam crescer. Afinal, quem fica parado é poste! Nós precisamos de conflitos para aprender hoje e sempre.

Sugestões para aprofundar:

Livro “Viver em Paz para Morrer em Paz: se você não existisse, que falta faria?” de Mario Sérgio Cortella, Editora Planeta.

Livro “Vivendo a Comunicação Não Violenta”, de Marshall Rosenberg, Editora Sextante.


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