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Quantas mãos são necessárias para acender a luz da sua casa? | Edição #6

Quantas mãos são necessárias para acender a luz da sua casa? Se respondermos a essa pergunta sem reflexão, a resposta pode parecer óbvia: Oras! Uma única mão... aquela que aperta o botão do interruptor. O que não percebemos é que nossas respostas estão inseridas num contexto maior de uma cultura que supervaloriza valores como o individualismo. Aprendemos desde cedo que a independência é o auge das nossas conquistas. Nas grandes cidades, isso fica ainda mais claro quando pensamos no tipo de moradia mais comum: o apartamento. Essa ideia de viver “apartado” dos outros, de forma separada e independente, é bastante forte nas grandes cidades. Essa pode ser, de fato, uma ideia grandiosa, mas será possível alcançar essa tão famigerada independência?

Bom, vamos começar por uma investigação bem simples. Você lembra o que comeu no café da manhã hoje? Pão? Suco? Café? Quais desses itens foram produzidos por você? Lembre-se: não estamos falando de espremer laranjas ou passar cafezinho. Queremos saber se você realmente produziu esses produtos. Com certeza a resposta é não. Outra pergunta rápida: O que você está vestindo agora? Calças? Um vestido? Será que você fabricou algum desses itens? Novamente, a resposta deve ser negativa. Veja só! A partir dessa rápida investigação vamos, aos poucos, desconstruindo a ideia de uma vida apartada uns dos outros. Então quer dizer que somos dependentes de tudo e de todos? Essa pode ser uma ideia bastante paralisante também.

 

E se pudéssemos mudar nossa forma de enxergar essa situação? Ao invés de nos sentirmos dependentes podemos cultivar uma sensação de interdependência. Ou seja, fazemos parte de uma rede de bondade e gentileza que apoia nossas necessidades e da mesma maneira que recebemos esse apoio também podemos apoiar os outros. Essa noção é muito comum em algumas comunidades originárias, por exemplo na ideia de “Eu sou porque nós somos” (Ubuntu), do povo Ngúni da África do Sul. Se pudermos pensar dessa forma, fazer parte dessa rede passa a ser uma experiência fantástica!

 

Numa perspectiva mais macro, se olharmos para a humanidade como um todo, nossos grandes avanços não foram fruto do trabalho de uma pessoa ou outra, mas sim da colaboração e dos esforços coletivos. Em seu livro Sapiens: uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari diz que os humanos chegaram no estágio atual de desenvolvimento pois foram capazes de cooperar em grandes grupos e de forma dinâmica. Não deveríamos ser capazes de valorizar mais essa habilidade?

 

Além disso, os grandes desafios do século XXI vão exigir uma compreensão cada vez mais apurada da nossa interdependência. Quando compreendemos que as coisas não surgem sem um contexto, que tudo afeta é afetado por outras coisas, nos sentiremos menos sozinhos nessa jornada.

 

Quando conseguimos incorporar esse tipo de noção, podemos ajudar os estudantes nesse sentido. O divulgador científico Daniel Goleman e o pensador sistêmico Peter Senge compartilharam seus anseios por uma educação que inclua a interdependência nos currículos escolares em seu livro O Foco Triplo. Segundo eles, a interdependência diz respeito à “análise da dinâmica de que: quando eu faço isso, a consequência é esta, e, a partir disso, como uso essa percepção para mudar o sistema para melhor.” Não é apenas sobre desenvolver a mera compreensão de como funcionam os sistemas, mas sobre relacionar esse conhecimento à forma como cuidamos de nós mesmos e do nosso grande lar, o planeta Terra.

 

Vamos fazer um experimento juntos? Pense em um objeto importante para você. Eu escolhi “livro”, mas você pode escolher o que quiser. Escreva o nome do objeto no meio de uma folha em branco. Agora coloque em volta todos os objetos e pessoas necessários para que esse objeto importante possa existir. No meu caso, alguns exemplos são: autor, editor, revisor, diagramador, papel, tinta, impressora, computador e internet. Agora podemos ligar objetos e pessoas que são necessários para esses itens anteriores existirem. Por exemplo, para termos papel precisamos de: água, terra, sol, madeira, fábrica, trabalhadores. E assim podemos seguir... E advinha onde esse exercício vai nos levar? Para o infinito e além! Faça o teste e convide seus estudantes para fazer o mesmo!

 

E aí? Quantas mãos são necessárias para acender a luz da sua casa? Depois desse papo, será que sua resposta mudou? Talvez possamos dizer que são incontáveis mãos!

 

E sabe o que é mais bonito? Todas essas mãos pertencem a indivíduos únicos, diferentes entre si e muito importantes. Não tem nenhum exatamente igual ao outro. Mas todos esses indivíduos, mesmo sendo diferentes, têm um desejo comum: atingir a felicidade e evitar o sofrimento.

 

Façamos votos de viver essa interdependência de forma encantadora e mágica, sempre!

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