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Transformações | Edição #10

E eis que chegamos ao décimo e último texto da coluna Pedagogia do Encanto! Que honra poder compartilhar com vocês minhas experiências e reflexões sobre aprender e ensinar.

 

Ao longo deste ano, pude registrar muitas das minhas visões como professora. A gente sabe da necessidade do registro escrito, mas na correria do dia a dia, isso acaba sendo deixado de lado. Por isso, valorizo tanto o espaço que tive aqui com vocês.Na coluna, tratei de temas muito preciosos para mim: a curiosidade, a investigação, o papel da hipótese, o experimento, o trabalho em grupo, a imaginação e as intencionalidades pedagógicas que perpassam tudo isso. Remexendo nas minhas memórias, muitas histórias vieram à tona. Tirei um tempinho para entender como elas me transformaram e encontrei muita coisa bonita. 

Sabe por quê? Porque aprender é transformador! Aprender nos torna mais presentes no mundo, nos ampara e prepara para os desafios da vida. Dá trabalho estudar? Sim, com certeza! Esforço, dedicação e reflexão fazem parte de todo o processo no qual há construção de novos saberes e habilidades e desconstrução de ideias estabelecidas. E como aprender não ocupa espaço, como diria meu saudoso pai, a gente estará sempre mudando, aprimorando os nossos olhares.

 

Levar a turma a refletir sobre essas transformações é uma forma de dar significado ao processo de aprender e é o que busco cotidianamente. Veja só o que um dos meus alunos escreveu sobre as aulas de ciências:“Com as aulas de ciências, eu vejo o mundo de outra forma. Eu olho para as árvores e os insetos de um outro jeito. Quando eu termino as aulas, eu saio animado com tudo o que eu aprendi. Adorei entender o nosso sistema digestório, agora posso ajudar minha irmã em sua vida. Agora que entendo mais o mundo eu sei o que pode me fazer mal.”

 

Um garoto de 10 anos percebe que o conhecimento transforma o seu olhar sobre o mundo e que afeta a sua vida e de outras pessoas, no caso a irmã. Gente, é bonito demais! E pode ser assim. Melhor, deve ser assim. É importante alcançar um estado de encantamento para que alunas e alunos “carreguem aula para casa”. É preciso atentar para quando esse algo encantador ocorre em sala de aula e que, de tão forte, se mantém vivo nos alunos.

Estar feliz e empolgado não é uma condição para aprendizagem. Mas sabemos que estudantes mais engajados aprendem mais. Temos aqui um ciclo virtuoso: o envolvimento do estudante promove aprendizagem e isso gera mais engajamento. Isso é facilmente comprovado em sala de aula, assim como o inverso, infelizmente, também é.

 

Sabemos que a educação é o mais potente agente de mudança na sociedade. E eu, professora de crianças, vejo isso nas meninas e meninos. Olho para cada um deles e desejo que as transformações ocorridas nas aulas de ciências afetem positivamente o futuro, mesmo que seja por meio das memórias de como foi bom aprender a explicar o mundo com o conhecimento científico. Desejo também que colegas professoras e professores de todo o Brasil encontrem em si e na escola motivos de encantamentos. Tenho certeza de que, quando as condições são dadas, a escola vibra e é feliz.

Referências:

LUMBY, J. Enjoyment and learning: policy and secondary school learners’ experience in England. British Educational Research Journal, v. 37, nº. 2, 2011 

LEI, H; Cui, Y; Zhou, W. Relationships between student engagement and academic achievement: a meta-analysis.  Social Behavior and Personality, v. 46, 2018.

LINDSTRÖM, E. R.; Chow, J. C.; Zimmerman, K. N.; Zhao, H.; Settanni, E.; Ellison, A. A Systematic Review and Meta-Analysis of the Relation Between Engagement and Achievement in Early Childhood Research. Topics in Early Childhood Special Education, 2021.

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