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Os desafios e os prazeres do trabalho em grupo | Edição #8

O trabalho em grupo é desafiador em qualquer fase da vida. Pessoas diferentes, com conhecimentos, habilidades e histórias distintas, precisam trabalhar juntas para alcançar o produto almejado. Mas até chegar a ele... Muita troca de ideia, conflito, disputa de interesses. Também muita aprendizagem que emana desse caldeirão que é trabalhar e aprender coletivamente.

Reconheço o enorme potencial dessa atividade na escola, mas ela me inquieta: Será que é de fato aconteceu um trabalho coletivo ou foi desenvolvido por apenas algumas pessoas? Houve imposição ou diálogo das diferentes propostas? Foi meramente seguir as instruções que eu indiquei? Será que eu intervi muito? Como mediar os conflitos que surgem diante do trabalho? Crianças conseguem de fato trabalhar em grupo?

 

Analiso que o trabalho em grupo esteve menos presente do que eu gostaria nas minhas aulas e o motivo é a minha insegurança criada por essas e tantas outras questões. Por outro lado, tenho experiências de atividades em grupo riquíssimas, nas quais as meninas e os meninos se engajaram ativamente para resolver um problema proposto. Remédio para a minha insegurança é estudo e, nesse caso, foi realizado com a leitura do livro “Planejando o trabalho em grupo” de Elizabeth G. Cohen e Rachel A. Lotan.

 

De cara, o livro traz a seguinte definição: “Este livro define trabalho em grupo da seguinte forma: alunos trabalhando juntos em grupos pequenos de modos que todos possam participar de uma atividade com tarefas claramente atribuídas. Além disso, é esperado que os alunos desempenhem suas tarefas sem a supervisão direta e imediata do professor.”

Eu fiquei impactada ao ler este trecho. Tem tanta coisa aí! Destaco duas delas:

  • Alunos trabalham juntos em grupos pequenos.


Ao recordar dos trabalhos em grupo que eu participei, percebo um padrão: o trabalho fluiu melhor em grupos menores. Grupos grandes emperravam ou a gente acabava dividindo as tarefas e cada um fazia uma parte.


O trabalho conjunto é um pilar do trabalho em grupo proposto por Cohen e Lotan. Nele, os participantes precisam uns dos outros e discutem sobre os caminhos a serem tomados. O grupo está debatendo ideias, bolando estratégias e tomando decisões coletivas? Parece que temos efetivamente um trabalho coletivo em andamento.

As autoras sugerem, a partir de muitos anos de pesquisas científicas, que grupos com quatro ou cinco participantes funcionam melhor. Em grupos muito pequenos, com três pessoas, há grande chance de uma ser deixada de lado. Em grupos grandes, com seis ou mais pessoas, o contato visual fica comprometido e aumenta a possibilidade de alguém ficar isolado, seja por dificuldade na interação ou mesmo por falta de vontade. Não vejo isso como uma regra absoluta, e ninguém melhor do que o professor para entender a sua turma, mas penso que vale a pena ter em mente que grupos menores trabalham melhor.

  • Alunos realizam as tarefas sem a supervisão direta e imediata do professor.


Isso significa delegar e confiar. Nós precisamos planejar as atividades criteriosamente e entregá-las ao grupo. Mas a partir daí, o trabalho é dos estudantes. É preciso respeitar os caminhos tomados por eles. Não há intervenção para prevenir o erro; aliás, se aprende muito com ele. Cabe a nós professores a orientação, a mediação dos conflitos, a observação e o registro escrito (porque não dá para contar somente com a memória) do comportamento de cada participante do grupo, e a avaliação do processo e do produto final

 

Ao longo do livro as autoras exploram as diversas dimensões do trabalho em grupo, sem esconder os dilemas e dando orientações de como planejar e conduzir essa proposta pedagógica. Se você, colega professora e professor, assim como eu, percebe os desafios do trabalho em grupo, sugiro fortemente estudar esse livro. Ao final também coloquei a sugestão de um vídeo com a professora Lotan.

 

Essa perspectiva de trabalho em grupo propõe uma sala de aula colaborativa, na qual há respeito e responsabilidade compartilhada. Então não é de uma hora para outra que um trabalho em grupo bacana acontece, não é? É um processo, construído com diálogo entre professores e alunos, com reflexão e o entendimento que se aprende muito e sobre muitas coisas com os outros.

 

De fato, o trabalho em grupo exige tempo para planejá-lo, implementá-lo e avaliá-lo. Mas penso que o investimento vale a pena! Temos nessa estratégia uma das possibilidades de se promover na escola uma aprendizagem muito além dos conteúdos, que também mobiliza habilidades sociais e emocionais tão necessárias para enfrentar os problemas complexos da nossa sociedade.

Referências:

Cohen, E. G. e Lotan, R. A. Planejando o trabalho em grupo: estratégias para salas de aulas heterogêneas. Porto Alegre: Penso, 2017.

Vídeo: Como fazer trabalho em grupo em salas de aulas heterogêneas. Canal do Instituto claro.

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