Por que o experimento é tão legal? | Edição #7
- Flávia Pereira Lima

- 24 de ago. de 2021
- 3 min de leitura
Resgate na sua memória alguma atividade de ciências do seu ensino fundamental que você tenha gostado muito. Ouso supor que muitas pessoas se recordam das aulas com experimentos, seja o do feijão no algodão, o do filtro construído com camadas de pedras e areia, ou o do ovo passando pelo gargalo da garrafa.
As atividades experimentais são marcantes na vida escolar. Foram inúmeras as vezes que entrei na sala de aula e escutei “Professora, hoje tem experimento?”. Lembro-me de uma vez que fiquei afastada da escola porque cai e quebrei o pé e minha colega pediu que as meninas e os meninos me enviassem cartinhas. Diante de tamanho carinho, algo me chamou atenção: a frequência de pedidos para que eu retornasse pois sentiam falta de fazer experimentos na escola!
O que há por trás das atividades experimentais que promove o engajamento, atiça a curiosidade e o desejo de aprender? Acredito que a potência delas está em uma série de fatores:
A sala se mexe: durante a atividade experimental manipulativas, ou seja, aquelas que os estudantes realizam o experimento, grupos se formam, a sala se move, carteiras mudam de lugar. A estrutura se reconfigura para uma atividade mais dinâmica, que necessita da participação ativa dos estudantes.
Mão na massa: os experimentos manipulativos permitem que os estudantes se envolvam ativamente na realização da atividade e na coleta de dados. Entendo que os experimentos demonstrativos têm seu valor, principalmente com crianças menores e quando há escassez de recursos, mas sempre que possível deve-se priorizar os primeiros. Atividades experimentais bem conduzidas são estratégias que promovem a aprendizagem ativa.
Algo acontecendo na sua frente: é muito encantador ver o resultado de um experimento conduzido pelo grupo acontecer diante dos olhos ou ao longo de dias de observação. Coletar dados e realizar observações é de fato propor-se a interagir com o fenômeno estudado e não apenas receber informações de segunda mão sobre ele.
Debate: discutir os resultados encontrados, inclusive as diferenças entre grupos, promove um engajamento espetacular dos estudantes. Analisar as descobertas, construir conceitos científicos e usar os dados para explicar os fenômenos estudados é garantia de conversa, reflexão e aprendizado. Os conhecimentos e habilidades desenvolvidas durante uma atividade experimental são mais importantes do que o resultado em si.
Protagonismo no planejamento e condução: numa abordagem investigativa os experimentos são uma importante atividade na coleta de evidências para se responder ao problema da pesquisa. Eles podem ser protagonistas no planejamento, condução e análise dos dados gerados pelo procedimento.
Sabemos que os experimentos na escola são mais relacionados à área de Ciências da Natureza, mas todos esses pontos levantados podem ser alcançados em qualquer disciplina. A análise de fontes históricas realizada em grupo; situações-problema envolvendo cálculos; a elaboração coletiva de um texto informativo são exemplos de atividades que podem promover o engajamento e o desejo de aprender como fazem os experimentos. Portanto, a potência de atividades experimentais não está nelas em si, mas na capacidade de promoverem uma aprendizagem ativa, criativa e estimulante.
Vale ressaltar que toda essa conversa se dá sob a perspectiva investigativa e não se aplica às atividades experimentais baseadas na mera reprodução. Além disso, o desejo pelo experimento deve ser despertado pelas possibilidades de aprendizagens que ele suscita, não pela espetacularização promovida. Não nego que é muito interessante observar mudanças de cores, transformações, fumaça aparecendo, mas não está nisso a relevância pedagógica do experimento. Vale também reforçar que atividades experimentais podem ser realizadas com materiais simples, daqueles encontrados na cozinha de nossas casas, e que não há exigência de laboratórios para que sejam realizadas.
Então por que o experimento é tão legal? Porque dá vontade de fazer! E quando a gente faz algo querendo é bem maior a chance de aprender e gostar.



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