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Por que o experimento é tão legal? | Edição #7

Resgate na sua memória alguma atividade de ciências do seu ensino fundamental que você tenha gostado muito. Ouso supor que muitas pessoas se recordam das aulas com experimentos, seja o do feijão no algodão, o do filtro construído com camadas de pedras e areia, ou o do ovo passando pelo gargalo da garrafa.

As atividades experimentais são marcantes na vida escolar. Foram inúmeras as vezes que entrei na sala de aula e escutei “Professora, hoje tem experimento?”. Lembro-me de uma vez que fiquei afastada da escola porque cai e quebrei o pé e minha colega pediu que as meninas e os meninos me enviassem cartinhas. Diante de tamanho carinho, algo me chamou atenção: a frequência de pedidos para que eu retornasse pois sentiam falta de fazer experimentos na escola!

 

O que há por trás das atividades experimentais que promove o engajamento, atiça a curiosidade e o desejo de aprender? Acredito que a potência delas está em uma série de fatores:

  • A sala se mexe: durante a atividade experimental manipulativas, ou seja, aquelas que os estudantes realizam o experimento, grupos se formam, a sala se move, carteiras mudam de lugar. A estrutura se reconfigura para uma atividade mais dinâmica, que necessita da participação ativa dos estudantes.

  • Mão na massa: os experimentos manipulativos permitem que os estudantes se envolvam ativamente na realização da atividade e na coleta de dados. Entendo que os experimentos demonstrativos têm seu valor, principalmente com crianças menores e quando há escassez de recursos, mas sempre que possível deve-se priorizar os primeiros. Atividades experimentais bem conduzidas são estratégias que promovem a aprendizagem ativa.

  • Algo acontecendo na sua frente: é muito encantador ver o resultado de um experimento conduzido pelo grupo acontecer diante dos olhos ou ao longo de dias de observação. Coletar dados e realizar observações é de fato propor-se a interagir com o fenômeno estudado e não apenas receber informações de segunda mão sobre ele.

  • Debate: discutir os resultados encontrados, inclusive as diferenças entre grupos, promove um engajamento espetacular dos estudantes. Analisar as descobertas, construir conceitos científicos e usar os dados para explicar os fenômenos estudados é garantia de conversa, reflexão e aprendizado. Os conhecimentos e habilidades desenvolvidas durante uma atividade experimental são mais importantes do que o resultado em si.

  • Protagonismo no planejamento e condução: numa abordagem investigativa os experimentos são uma importante atividade na coleta de evidências para se responder ao problema da pesquisa. Eles podem ser protagonistas no planejamento, condução e análise dos dados gerados pelo procedimento.

 

Sabemos que os experimentos na escola são mais relacionados à área de Ciências da Natureza, mas todos esses pontos levantados podem ser alcançados em qualquer disciplina. A análise de fontes históricas realizada em grupo; situações-problema envolvendo cálculos; a elaboração coletiva de um texto informativo são exemplos de atividades que podem promover o engajamento e o desejo de aprender como fazem os experimentos. Portanto, a potência de atividades experimentais não está nelas em si, mas na capacidade de promoverem uma aprendizagem ativa, criativa e estimulante.


Vale ressaltar que toda essa conversa se dá sob a perspectiva investigativa e não se aplica às atividades experimentais baseadas na mera reprodução. Além disso, o desejo pelo experimento deve ser despertado pelas possibilidades de aprendizagens que ele suscita, não pela espetacularização promovida. Não nego que é muito interessante observar mudanças de cores, transformações, fumaça aparecendo, mas não está nisso a relevância pedagógica do experimento. Vale também reforçar que atividades experimentais podem ser realizadas com materiais simples, daqueles encontrados na cozinha de nossas casas, e que não há exigência de laboratórios para que sejam realizadas.

 

Então por que o experimento é tão legal? Porque dá vontade de fazer! E quando a gente faz algo querendo é bem maior a chance de aprender e gostar.


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