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Entenda e saiba lidar melhor com a melancolia de fim de ano | Edição #11

Apesar de ser a época das “festas de fim de ano” e das confraternizações com os amigos e com as famílias, nem todo mundo fica feliz e festivo no mês de dezembro. Você conhece alguma pessoa que, com a chegada do Natal e do Ano Novo, demonstra um certo baixo astral? Você já se sentiu assim? Aliás, como você está se sentindo agora, colega professor? Vamos fazer um exercício de reflexão: seja sincero consigo mesmo e pense, com carinho, o que a chegada de 2022, neste momento, significa para você.


"ENTÃO É NATAL E O QUE VOCÊ FEZ"?


“Eu vejo que no fim do ano, tal qual em um fim de ciclo, existe uma deparação de pessoas com a sua própria história e também com a expectativa de eficiência em diversos aspectos da vida. No aspecto do trabalho, na vida conjugal, no aspecto maternal, paternal, e até no lazer”, pontua o psicólogo clínico e facilitador de grupos Fred Barão, membro da Associação Paulista da Abordagem Centrada Na Pessoa.


“Então, para as pessoas, existe um olhar até bastante crítico para aquilo que fizeram e, principalmente, para aquilo que deixaram de fazer, aquilo que ficou aquém”, continua. Não é à toa que muitas pessoas se arrepiam quando ouvem o famoso verso “então é Natal, e o que você fez?”, eternizado pela cantora Simone.

“Assim como verificar coisas que eu deixei de fazer, penso também em pessoas que ficaram para trás”, exemplifica o psicólogo. E é claro que, em dezembro de 2021, ano marcado pela pandemia da Covid-19 em todo o mundo, é preciso falar e pensar na nossa relação com o luto. 

“Não posso tirar do contexto da pandemia, lembrando que muitos se foram. Não só muitas pessoas, através de um falecimento, mas empregos se foram, relacionamentos amorosos se foram. Tá bom que, de vez em quando, sair de um emprego ou de um relacionamento amoroso traz muita vida para algumas pessoas, mas para outras não: traz a sensação de frustração e fracasso”, continua Fred.

 

Como se não bastasse toda essa reflexão, muitos de nós precisamos ainda viver esse fim de ciclo compartilhando momentos com pessoas que não são exatamente as companhias mais confortáveis. Reconhece essa situação? “Muitas vezes, famílias que não se importam muito mesmo de coração umas com as outras se reencontram ao fim do ano, e pessoas que vivem relacionamentos conturbados ficam em um mesmo ambiente”, pontua o especialista. Ele comenta ainda que essa é uma das queixas mais comuns que recebe entre os seus pacientes ao fim do ano: previsões de brigas nas confraternizações em família e relatos de encontros familiares pouco harmônicos, hipócritas e desagradáveis. 

“Logo, o fim do ano é um momento de muita reflexão que, culturalmente e midiaticamente, nos coloca de frente para um espelho. E, como não exercitamos esse olhar mais profundo para o espelho nos outros dias do ano, muitas vezes não encontramos aquilo que gostaríamos, e a frustração impera”, diagnostica o psicólogo. 

Uma resposta simples, um processo lento e contínuo ​

Bom, então a solução para a melancolia de fim de ano seria nos olharmos com mais frequência nesse espelho? Exercitar essa reflexão no decorrer do ano? A resposta simples é sim. Mas não há nada de simples nisso. É um processo complexo e, por isso mesmo, requer estratégias, consciência e sabedoria.  

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“A gente vai cair na questão do autoconhecimento. Quando a gente fica próximo de si mesmo, como um ato consciente, se colocando na própria agenda de afazeres — literalmente e, se possível, com generosidade, não com peso — a gente toma uma decisão de se levar mais em consideração”, sugere Fred. “Nesse ponto, é muito comum a gente perceber micro-ciclos, sutilezas do nosso corpo, sutilezas do raciocínio, sutilezas das emoções. Entender esses micro-ciclos faz toda a diferença”, revela. 

E sim, meus queridos colegas professores, estamos falando de terapia, de meditação, de diários, de ferramentas que possam nos ajudar a acessar esse espelho com mais gentileza. A gente sabe e, se você acompanha essa revista, você também tem consciência de que, nem sempre, o caminho do autoconhecimento é agradável e tranquilo de ser percorrido. E aqui a gente cai no meme de 2021: “é sobre isso e tá tudo bem”. 

“Se eu fujo do buraco, não é por muito tempo. O buraco vai me pegar. Mas entender a dor como parte da nossa vida é importante. Só quando eu consigo identificar as emoções que eu estou sentindo é que eu consigo lidar com elas”, ressalta Fred. Afinal, se aprendemos algo durante esse ano de projeto Fique Bem é que a alegria e a tristeza podem coexistir. Só é preciso sabedoria e experiência para lidar com as emoções desagradáveis e aprender algo com elas. Lembra do filme Divertida Mente? Pois é, é por aí. 

“Entender um pouco mais a complexidade das situações e das pessoas é importante. Por exemplo, quando eu olho para o meu trabalho e percebo que estou sendo muito exigido, eu posso estar sendo muito exigido talvez porque as pessoas confiam em mim. Entender a complexidade, dar um passo para trás, entender que, onde existe uma dor, também pode existir algo que me acalante, algo que me valorize, entender o meu valor, é importante”, orienta.

“Daí, entra uma outra faceta que eu percebo que as pessoas do meu convívio, na pandemia, entraram muito em contato, que é o tal do contentamento. Não tanto da esfuziante alegria, com o sorriso no rosto, mas do contentamento, de estar fazendo aquilo que você gosta”, diz Fred. “Eu percebo que, durante a pandemia, a régua foi muito pra baixo. Fomos cerceados de muitas coisas. Então o simples contentamento e olhar com mais frequência para os contentamentos, aquilo que me nutre, que está muito próximo dos meus propósitos, aquilo que eu realmente valorizo, se tornou necessário”, reflete.

 

Por vezes, o que nos traz contentamento não é algo que mereça ser publicado nas redes sociais ou que seja digno de contar para alguém. Mas, se lhe traz energia para continuar e te coloca próximo do sentido da sua vida, aceite. Que o ano de 2022 seja repleto desses pequenos momentos e que, apesar dos sentimentos mais difíceis de lidar, você possa preencher o seu coração com o sentimento de gratidão na maior parte do tempo do ano que se inicia. Conte conosco!


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