Como o nosso cérebro aprende? | Edição #9
- Professora Fique Bem

- 11 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Todos nós já passamos por uma série de processos de aprendizado. Muitos deles se deram na infância e pouco lembramos de como aconteceram. Se você está lendo este texto, por exemplo, certamente você é uma pessoa que foi alfabetizada na língua portuguesa. Contudo, provavelmente você já se deparou com o desafio de aprender uma nova língua, ou qualquer outro novo conteúdo e se questionou: afinal, como o nosso cérebro aprende?
Para responder à essa pergunta de um milhão de dólares, chamamos à Live Fique Bem um especialista de um milhão de títulos. Um dos maiores conhecedores brasileiros a respeito do funcionamento do cérebro, Fabiano Moulin é médico neurologista, coordenador da Unifesp, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, professor da Casa do Saber, pai da Cecília e humano do Hermes, um gatinho sonolento que também garantiu a sua participação no nosso encontro.
E que encontro! Nosso especialista trouxe dados, evidências e muito conhecimento para a conversa. Apesar da linguagem simples usada por Fabiano e do pensamento construtivo orientado pelo nosso querido Dudu, vários professores que assistiram a essa live ao vivo comentaram no chat que precisariam assistir novamente o encontro para pausar, refletir e fazer anotações. Afinal, esse vídeo é uma verdadeira aula de como ensinar! (E, consequentemente, de como aprender).
Segundo a neurologia, apesar de sermos seres únicos, a ciência aponta para uma certa “receita do aprendizado”. Os ingredientes necessários são a atenção, o engajamento, o feedback e o sono. Mas é claro que é necessário muito estudo, autoconhecimento, experiência e exemplos para entender o que prende a nossa atenção e garante o nosso engajamento individual. Por exemplo, um ambiente com muita informação pode causar desatenção e desconforto, assim como um ambiente com pouquíssima informação. Você já pensou nisso? Já, sobre o engajamento, existe uma fórmula do sucesso:
“O ápice do engajamento são os 15% de novidade. Não existe nenhum aprendizado que vem do nada. A cada nova informação assimilada, eu crio ou desfaço conexões no meu cérebro e já foi comprovado cientificamente que a porcentagem ideal para garantir um bom aprendizado é submeter as pessoas a 85% de algo já conhecido e 15% de novidade bem distribuída”, afirma o neurologista. Anote aí!
Além disso, o Dr. Fabiano aproveitou alguns momentos da live para reforçar que a memória não é uma ferramenta feita apenas para decorar, mas que existe para que possamos aprimorar o nosso próprio modelo de mundo. Nessa mesma linha de raciocínio, vale lembrar que contextualizar o assunto de uma aula, trazendo o tema para a realidade do aluno — com 85% de algo já conhecido, tratado em aulas passadas ou relacionado a ideias comuns, e 15% de algo novo, inédito — , pode fazer toda a diferença na nossa sala de aula.
Dudu e Fabiano trataram ainda do valor da ignorância, do perigo da polarização, da importância da avaliação e dos erros que a educação formal comete após a aplicação de provas, de como fatores culturais e sociais podem modificar o cérebro das pessoas e afetar a capacidade de aprendizado pleno, explicaram a necessidade do mindfulness e, ainda, o perigo das mídias sociais. Ufa! Pronto para assimilar tudo isso? Pegue um papel, uma caneta e dê o play. Seu cérebro vai se deliciar com tanto conteúdo.


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