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Como revolucionar nossas relações com a prática da Comunicação Não-Violenta | Edição #5

Vem cá, professor. Você já ouviu que homem não chora ou que mulher é delicada? Já reproduziu frases como “vocês nunca se comportam na minha aula” ou “eu sempre tenho que repetir isso”? E, por fim, já teve que ouvir alunos rotulando uns aos outros? Sabe o que todas essas situações têm em comum? Elas se encaixam perfeitamente no tema da nossa segunda live do mês, o nosso encontro sobre linguagem estática.

Esse termo é bem específico e pode ser que você nunca tenha se deparado com ele, mas os exemplos são muito comuns, não é mesmo? A linguagem estática, para quem estuda Comunicação Não-Violenta (CNV), é aquela que julga, que condena ou que avalia, sem abarcar a complexidade dos seres humanos envolvidos na situação.



“Quando a gente fala em uma linguagem estática, a gente está falando desse termo parado mesmo, é a ‘linguagem parada’. São os rótulos que a gente usa em um diálogo, os julgamentos. Na verdade, isso está ligado à nossa cultura, a gente aprendeu a falar assim. É uma violência que existe, de uma forma muito sutil. A gente cresceu convivendo com aquilo e a gente nem percebe que é uma violência”, explica a Débora Gaudêncio, nossa convidada da semana.


Estrela da nossa live sobre CNV, Débora é consultora no assunto desde 2013 e certificada pelo Center for NonViolent Communication, além de ser advogada, mediadora e pós-graduanda em Neurociência e Comportamento pela PUC-RS. Professora Convidada da Fundação Dom Cabral, Débora é ainda co-fundadora da Eight Diálogos Transformadores.

O papo com essa super especialista foi de tirar o fôlego. Durante a conversa, Débora explicou que o grande perigo da linguagem estática é que, rotulando uns aos outros, a gente não enxerga o ser humano por trás dos nossos julgamentos, o que cria uma forte desconexão e isso é uma violência sutil.

“Não combina falar com um ser complexo, a partir de uma linguagem estática, é preciso uma linguagem dinâmica”, aponta Débora. “O que todo o ser humano quer é ser visto, compreendido. Ninguém quer ser levado para o lugar do ‘não existo’”, completa.

Ao contrário do que muita gente pensa, a CNV não é um conjunto de técnicas. Trata-se, na verdade, de uma lente de contato para cuidar das relações. “Seguir a CNV não é ser boazinha, fofinha. A ideia aqui é ser autêntica e cuidar das relações. Cuidar de mim e também pensar no outro”, reforça a especialista. “O que a CNV sugere, antes de tudo, é que a gente tenha alguma prática para cuidar da gente. É a mesma metáfora da máscara no avião”, aponta.

Entre muitos outros aprendizados e dicas, essa live vai te ensinar a diferença entre violência explícita e violência sutil, o que muda quando paramos de focar nas nossas estratégias e focamos nas nossas necessidades, o que, de fato, é uma necessidade, o que é ser transparente, a importância de se distanciar durante uma discussão, o que significa a saudação africana “sawubona” e como Paulo Freire tem tudo a ver com esse assunto. Ufa! Está preparado?

Aliás, se quiser dicas de leitura sobre o assunto, o Eduardo Pacífico, nosso mediador, e a Débora Gaudêncio apontaram ao menos cinco livros para quem for se aprofundar: “A linguagem da paz em um mundo de conflitos”, “Vivendo a comunicação não-violenta”, “Juntos podemos resolver essa briga”, “O surpreendente propósito da raiva” e “Criar filhos compassivamente”, todos do autor Marshall Rosenberg.

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