top of page

Como gerir uma sala de aula com amor e compaixão? | Edição #10

Imagine se o nosso semestre letivo fosse transformado em um jogo de tabuleiro, daqueles convencionais, com cartas de sorte e revés. Cada peão é um estudante e, em um determinado momento do jogo, uma carta retirada da pilha diz: “A professora está em um dia ruim. Volte cinco casas”. Agora, deixe de lado o jogo e volte sua mente para suas experiências reais. Quantas casas (e quais casas) os nossos alunos acabam “voltando” devido ao mau humor ou à falta de disposição dos professores? E, como somos humanos, é claro que teremos dias bons e dias não tão bons. Mas, afinal, a saúde mental de um professor interfere na vida de quantas pessoas?



Foi com essa metáfora sobre gestão de sala de aula que começamos o segundo encontro do nosso mês, com um convidado mais que especial. Valentin Conde Cruz é coordenador de projetos no Instituto Sidarta, professor de práticas contemplativas para a infância, pedagogo formado pela PUC-SP e mestre em ciências da religião com ênfase em estudos budistas pela Fo Guang University de Taiwan. Além de pós-graduado em Gestão Emocional nas Organizações pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, nosso convidado é colunista aqui da Revista Fique Bem e um dos idealizadores de todo o projeto.


“O tempo gasto nas relações na escola, não é tempo perdido. Querendo ou não, a gente vai ter que lidar com educação afetiva. Todos temos habilidades sociais e precisamos desenvolvê-las, da mesma forma como desenvolvemos as nossas habilidades intelectuais”, afirma Valentin. “Habilidades intelectuais ajudam a gente a fortalecer as nossas habilidades sociais e vice-e-versa. Eu não acredito que essas coisas devam competir na escola. A vida é uma só, o trajeto escolar, a história escolar é apenas uma. Não tem muito como dividir, priorizar algo, separar em caixinhas”, argumenta o professor especialista em criar uma sala de aula compassiva.


A conversa com Valentin foi um retrato de como deve ser uma aula com ele. O colunista da nossa revista criou um ambiente seguro de aprendizagem, tratou assuntos densos com leveza, mostrou vulnerabilidade e ainda construiu, junto a todos que o assistiam, argumentos e reflexões profundas, mas com palavras simples e pautado na compaixão, no afeto e em situações da vida real, como uma aula deve ser.

“Não tem outro jeito. Não posso criar uma sala de aula compassiva, se isso não for uma realidade para mim. Compaixão, bondade, não tem como ensinar se não se vive. Você, como mediador da sala de aula, precisa ter esses valores muito fortes em si”, afirma Valentin. Contudo, o professor lembra que não é preciso virar um ser de luz, paz e gratidão para dar essas aulas para as crianças. “São as nossas imperfeições que nos fazem iguais aos estudantes e é preciso não ter medo de perder os status, de se mostrar vulnerável”, conta. “Quando a gente constroi a relação a partir de um princípio de confiança, não vai ter ninguém se sentindo menor”, reflete.

 

A conversa durou uma hora, mas ainda bem que está gravada! Afinal, são muito conceitos, muitas reflexões e muitos aprendizados que alcançamos nesse encontro, e vale a pena assistir várias vezes. Assista à live e descubra o significado das expressões “convocador de aldeia” e “resiliência comunitária”. E, na dúvida, ame. “Se, em alguma situação, você não souber o que fazer em sala de aula, pense qual seria a atitude mais amorosa para você e para o outro naquela situação. O amor não falha e a gente nunca ama demais”, conclui nosso convidado.


Comentários


​© Gaia+ 2023

Rua Dona Santina, 291 - São Luiz

Piracicaba - SP

(19) 3302-5916

fiquebem@gaiamais.org

CNPJ: 21.354.603/0001-61

fiquebem_logo 2023_branca_01.png
  • youtube-logo
  • instagram-logo
  • telegram-logo
bottom of page