Impactos da quarentena no nosso corpo | Edição #6
- Professora Fique Bem

- 2 de ago. de 2021
- 2 min de leitura
Como diferenciar um beliscão de um carinho? Você sabe quando o seu abraço deixa de ser gostoso e começa a virar um apertão dolorido no outro? É difícil de verbalizar, mas a gente sabe, né? A gente sente, pois é questão de experiência.
Imagine agora que você é uma pessoa que ficou sozinha, isolada das outras. Alguém que não interagiu pessoalmente com quase ninguém, por cerca de um ano. Imagine, mas só imagine, que você apenas interagiu com pessoas de forma virtual e que não abraçou ninguém por meses. Para muita gente, a pandemia do coronavírus criou exatamente essa situação. Será que o hiato de contato com o outro impactou a nossa percepção de como tocar em alguém? De como ser tocado?
Segundo a professora Rita Galante, educadora corporal do Colégio Sidarta, a pandemia afetou o nosso corpo de uma maneira que poucos de nós teve consciência. Ela, que foi a nossa convidada na primeira Live Fique Bem do mês de agosto, é expert no assunto, licenciada em dança pela Faculdade Paulista de Artes, especialista em dança e consciência corporal e pós-graduanda em psicomotricidade pelo ISPEGAE-OIPR.
Rita nos explicou que, para muito além da relação interpessoal, a psicomotricidade nos ajuda a viver, pois é a ciência que estuda o ser humano, através do seu corpo em movimento e a sua relação com o mundo. Apesar do nome difícil, a psicomotricidade estuda o nosso desenvolvimento como seres corporais. “Nessa área, eu encontrei a fundamentação teórica para os questionamentos que eu já tinha. Antes, eu fazia as coisas de forma intuitiva e agora eu as faço de forma científica”, reflete.
A conversa ainda parece abstrata para você? Então, me conte: por que muita gente sabe pegar em um lápis, mas tem dificuldade com os tais dos palitinhos chineses? Aliás, depois de tanto tempo atrás de uma tela, você acha que algum dos seus alunos perdeu a prática da escrita motora? Como resolver isso? Quantas questões!
“Eu sempre fui a pessoa que queria falar e o professor brigava comigo, falava ‘Rita, fica quieta, presta atenção!’ e eu queria debater”, conta a especialista. “O que eu penso é o seguinte: se a gente quer que a pessoa performe, em números, em vestibular, em nota, nada melhor que a psicomotricidade também. Porque, assim, você vai aprender como é que o seu aluno aprende”, continua. “Eu não quero mais perder nenhum aluno no processo de aprendizagem”, conclui a educadora.
A conversa de uma hora com Rita foi de muito aprendizado. O papo passou por dicas super detalhadas de como trabalhar a psicomotricidade com crianças pequenas; momentos emocionantes voltados aos sonhos de uma educadora que, quando criança, teve dificuldades em se adaptar a uma escola tradicional; exercícios práticos para aliviar a tensão muscular; e ainda uma história muito inspiradora de como uma menina de seis anos, sentada sozinha em uma escola nova, conheceu sua paixão por observar o movimento do corpo alheio.
Se prepare, adote uma posição confortável e dê o play. Tenho certeza que essa live vai lhe emocionar e lhe ensinar algo novo sobre o corpo humano — ou sobre o estado do seu próprio corpo nesse exato momento. Por fim, anote as dicas: se organize no espaço e module o tônus! A sua versão do futuro agradece.



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