Como promover uma educação antirracista | Edição #7
- Lorena Bárbara Santos Costa

- 9 de jan.
- 2 min de leitura
Muito além da Lei n. 10.639/2003, que obriga o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira, e da Lei n. 11.645/2008, que estabelece a inserção da cultura indígena no currículo em algumas datas do calendário escolar, uma Educação Antirracista precisa ser construída coletivamente com a equipe pedagógica, a família, a gestão e a comunidade escolar. É preciso indagar o currículo posto como norteador das práticas pedagógicas, perceber o lugar que as culturas africana e indígena ocupam nos componentes curriculares, de que forma os sujeitos negros e negras que construíram a nossa sociedade são visibilizados e como as relações interraciais se constituem no espaço escolar.
A escola também precisa discutir sobre o epistemicídio dos materiais didáticos utilizados na promoção do conhecimento, pois sabemos que, apesar dos avanços com as leis já citadas, ainda temos um currículo hegemônico e que subalterniza e silencia as produções de intelectuais negros e negras em todas as áreas do conhecimento.
Tomaremos como referência o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos (1995, p. 328) para refletirmos sobre o epistemicídio. Vejamos o que ele diz:
O genocídio que pontuou tantas vezes a expansão europeia foi também um epistemicídio: eliminaram-se povos estranhos porque tinham formas de conhecimento estranho e eliminaram-se formas de conhecimento estranho porque eram sustentadas por práticas sociais e povos estranhos. Mas o epistemicídio foi muito mais vasto que o genocídio porque ocorreu sempre que se pretendeu subalternizar, subordinar, marginalizar, ou ilegalizar práticas e grupos sociais que podiam ameaçar a expansão capitalista ou, durante boa parte do nosso século, a expansão comunista (neste domínio tão moderno quanto a capitalista); e também porque ocorreu tanto no espaço periférico, extraeuropeu e extranorte-americano do sistema mundial, como no espaço central europeu e norte-americano, contra os trabalhadores, os índios, os negros, as mulheres e as minorias em geral (étnicas, religiosas, sexuais).
Sendo assim, a escola não pode se isentar da sua responsabilidade: educar para destituir os saberes hierarquizados. Educar para uma Educação Antirracista significa reconhecer as desigualdades geradas pelo racismo estrutural em nossa sociedade e promover ações sistemáticas no chão da escola para combatê-lo.
Entre algumas ações, podemos citar:
Indagar o currículo e propor mudanças.
Realizar formação continuada de professores na perspectiva da educação antirracista.
Construção de materiais pedagógicos que contribuam para uma educação multicultural e que respeitem os valores humanos.
Promover ações que envolvam toda a comunidade escolar para a desnaturalização do racismo em nossa sociedade.
Realização de atividades e eventos que valorizem o legado cultural das culturas africana e indígena.
Referências
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela mão de Alice. São Paulo: Cortez, 1995.
Sites
https://www.geledes.org.br/professora-a-educacao-antirracista-esta-entre-as-suas-tarefas-historicas/





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