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A discriminação da mulher negra no mercado de trabalho | Edição #2

No dia oito de março é celebrado o Dia Internacional das Mulheres. A data faz referência a um acidente que ocasionou um incêndio em 1911, na Triangle Shirtwaist Company em Nova York, matando 146 pessoas, sendo 125 mulheres operárias. A data foi institucionalizada pela ONU, na década de 70, para legitimar a luta das mulheres contra a violência, a opressão e a luta por igualdade de direitos e condições de trabalho.

 

Acontece, que apesar da data ser uma data importante para refletirmos sobre a condição da mulher na sociedade ela não representa as mulheres negras, Isso porque é uma data que generaliza a condição da mulher na sociedade e romantiza o papel feminino.

 

Para que a data contemple de fato o dia Internacional da mulher, percisamos refletir sobre as diversas mulheres que existem no mundo e as oportunidades que lhe são dadas.

 

Que mulheres são referenciadas no dia 8 de março?

 

As mulheres que sempre tiveram privilégios garantidos na sociedade ou aquelas que lutam para sobreviver na sociedade que as excluem cotidianamente?

 

Precisamos de uma data que reflita as condições das mulheres negras, indígenas, brancas, ciganas, africanas, quilombolas, mulheres trans, homossexuais, bissexuais e tantas outras categorias.

 

Uma data que surge para contrapor o 8 de março é o dia 25 de julho. A data é considerada como o Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha. A data foi instituída no I Encontro De Mulheres Afro-latinoamericanas e Afro-caribenhas em 1992 na República Dominicana como uma data para homenagear todas as mulheres negras que lutaram e lutam até hoje contra todas as formas de exploração, racismo e opressão.

 

No Brasil, desde 2014, a presidente Dilma Rousseff, instituiu por meio da Lei. nº 12.987, o dia 25 de julho como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, homenageando uma das principais líderes quilombola que viveu durante o século 18, no quilombo Quariterê, em Mato Grosso.

 

As mulheres negras representam 27,8% da população brasileira, são a maior força de trabalho, porém ainda com baixa representatividade nas áreas das Ciências, da Política, da Magistratura, das Engenharias por exemplo.

 

No mercado formal apenas 8% das mulheres ocupam cargo de liderança em grandes empresas ou são donas do próprio negócio.

 

De acordo com a Consultoria Indique uma Preta e a Box1824, em outubro de 2020, foram evidenciados os resultados da pesquisa (In)visíveis sobre a realidade da mulher negra no mercado de trabalho, que aponta as dificuldades da mulher negra para acessar o mundo do trabalho formal, serem reconhecidas pelo papel desempenhado, a falta de qualificação profissional e os impedimentos para o crescimento profissional na carreira. Outro fator que chama a atenção é a diferença salarial que aponta que a mulher negra ainda ganha menos que o homem branco, a mulher branca e o homem negro mesmo desempenhando as mesmas funções.

 

Quando o assunto é trabalho doméstico remunerado, as mulheres negras são 68% as que mais desempenham as atividades de faxineira, babá, cuidadora de idoso, cozinheira, arrumadeira, lavadeira, diarista, arrumadeira, etc. de acordo o Observatório do Terceiro Setor. Tal realidade está vinculada aos resquícios da escravidão no nosso país, em que as mulheres negras sempre desempenharam as funções domésticas na casa grande e cuidavam dos filhos dos seus senhores. O que poucos sabem, é que as mulheres negras foram as primeiras empreendedoras, foram elas as mulheres que saiam com seus tabuleiros na cabeça para vender seus quitutes e produtos inclusive para comprar alforrias de seus entes queridos.

 

Atrelado a falta de oportunidades as mulheres negras no mercado de trabalho, tem-se percebido que muitas tem sido empurradas pela vulnerabilidade social em que se encontram para a criminalidade. Hoje, 68% das mulheres encarceradas no Brasil são negras, segundo o Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITCC), a maioria delas são mães e que foram presas por tráfico.

A luta por melhores condições de trabalho e acesso ao mercado formal para as mulheres negras deve ser uma política pública, como forma de reparação e combate ao racismo estrutural em nossa sociedade. Hoje em dia temos mulheres negras brilhantes nas mais diversas áreas, mas, que ainda precisamos conhecê-las e dar visibilidades aos seus trabalhos.


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