Começando com quem mais importa… | Edição #4
- Eduardo Pacífico e Valentin Conde

- 25 de mai. de 2021
- 3 min de leitura
Em quem você pensou quando leu o título?
Se pensou em você, sentiu vergonha por isso?
Nosso objetivo é que, ao final do texto, você pense em você com a consciência mais tranquila e o coração mais leve.
Imagina a seguinte situação: uma amiga querida fala de algo inadequado, de um erro que acabou de cometer. Como você reage? Você vai culpá-la, dizendo palavras duras? Ou ouve com atenção, acolhe e ajuda a superar? Sabemos que a primeira opção não configura sequer uma amizade. Nos resta a segunda opção, a aceitação e o amor.
Mas e se a gente trocar o sujeito dessa situação? E se essa pessoa que cometeu um erro for você? Como você se trataria? É rude e impiedoso, ou acolhedor e compassivo?
Imagine que você recebeu uma crítica da coordenação. O que sua voz interna fala para você?
Você é incompetente e não faz nada direito. Errou de novo! Melhor desistir…
A culpa é da coordenação. Ninguém me ajuda em nada.
Essa tem sido uma semana desafiadora. Vamos com calma. Você está chateada(o) e tudo bem. Que tal tomar um bom banho, conversar com alguém querido, esfriar a cabeça e depois resolver a situação com nossa rede de apoio?
Sem dúvida a melhor opção, para sua saúde física, mental e emocional, é a opção 3. E não somos apenas nós que dizemos isso. A ciência tem comprovado a eficácia da autocompaixão repetidas vezes. Um dos grandes nomes da pesquisa nessa área é Kristin Neff, psicóloga e especialista em desenvolvimento moral.
Seus estudos têm comprovado que a atitude de autocompaixão pode aumentar nosso bem-estar e eficiência, diminuindo a ruminação negativa (pensamentos repetitivos) e o estresse.
Mas cuidado! Autocompaixão não é sobre ter pena de si mesmo (autopiedade) e nem fazer tudo que dá na telha (autoindulgência). Também não é sobre pensar só em si mesmo (autocentramento) ou sobre comparações e como somos avaliados (autoestima). A autocompaixão é sobre sermos genuinamente gentis com nós mesmos. Esse tipo de gentileza tem 3 aspectos:
Autobondade - autoaceitação e autocuidado.Todos os nossos sentimentos e emoções surgem de necessidades genuínas e do desejo fundamental de sermos felizes, dessa forma é preciso acolher-se e cuidar de si.
Humanidade Compartilhada - reconhecemos que, assim como todos os outros, temos defeitos, qualidades e necessidades.
Atenção consciente - repousamos nossa consciência gentilmente em cada situação, momento a momento, evitando apegar-se demais aos julgamentos e mentalidades fixas.
E como seria se pudéssemos integrar essa qualidade às nossas rotinas de sala de aula?
O fato é que ninguém dá aquilo que não tem. Se não tivermos amor para com nós mesmos, não poderemos oferecer isso para o mundo. Se você se sentir bem, vai poder ser sua melhor versão e contribuir para o florescimento do mundo.
Ser autocompassivo pode ser um grande desafio, ainda mais numa sociedade tão materialista e competitiva. Mas se utilizarmos as ferramentas que falamos acima, poderemos nos conectar com essa qualidade:
Eu noto que estou sendo duro demais comigo mesmo (atenção consciente)
Entendo que essa não é uma tarefa fácil para ninguém (humanidade compartilhada) Diante disso, aceito e acolho as minhas imperfeições (autobondade).
Pronto! A partir dessa perspectiva, esse desafio fica mais factível!
É tempo para nos despirmos da culpa, que só nos atrapalha e de vestirmos uma roupa confortável e cheia das cores que amamos. Afinal, a gente merece!
Referências:
Meeting Suffering With Kindness: Effects of a Brief Self-Compassion Intervention for Female College Students - Elke Smeets, Kristin Neff, Hugo Alberts and Madelon Peters



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