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Como uma educação comprometida com a igualdade entre meninos e meninas pode nos ajudar a enfrentar e combater o abuso sexual de crianças e adolescentes? | Edição #4

Na coluna deste mês vamos conversar sobre o dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes. O dia foi estabelecido em referência ao assassinato da menina Araceli Crespo, ocorrido em 18 de maio de 1973. Quando tinha 8 anos de idade, a criança foi sequestrada, estuprada e morta por dois homens de uma família influente no Espírito Santo. 


No Brasil, a cada 15 minutos uma criança ou um adolescente é vítima de crime sexual. Como discutimos na coluna do mês passado, os altos índices de crimes sexuais no Brasil têm relação com a produção de uma cultura do estupro, ancorada em masculinidades tóxicas, que desde a infância educa os homens para a não renúncia sexual. Mas, há outros pontos nos quais precisamos nos aprofundar para entender como uma educação antissexista e pela igualdade entre meninos e meninas pode ajudar na prevenção e no enfrentamento aos abusos sexuais de crianças e adolescentes.  


Na cultura sexista e machista em que todos vivemos, das meninas se espera o silêncio, a subalternização, a obediência, a docilidade e o recato. Mas, além disso, as meninas são educadas para servir ao outro e para agradar. Como nos lembra Zanello, ao citar Bordo (1997) nós, mulheres, “somos convocadas a mover-nos por amor, a mover montanhas por amor, mas para que os nossos esforços beneficiem a outras pessoas”, ou seja, desde a infância, nós, mulheres, somos educadas para um “hetero-centramento, diferentemente dos homens, cujo processo passa pelo o auto-centramento, tornam-se ego-cêntricos, egoístas”. (Zanello, 2018, p.354) 


Neste sentido, a escritora Chimamanda destaca que a educação que ensina as meninas a sentirem-se menores e subalternizadas aos meninos, e que as educa a sempre ignorar os próprios sentimentos para privilegiar o bem-estar do outro é perfeita para torná-las vítimas dos seus abusadores. É imperativo educar as meninas para erguerem as suas vozes, para se insurgirem a quaisquer tentativas de silenciar a sua expressão e a sua força. É urgente educar os meninos para masculinidades contra-hegemônicas.  


Para combater o abuso sexual de crianças e adolescentes de forma sistêmica e organizada precisamos de políticas públicas intersetoriais, integradas, um trabalho realizado em rede e com intencionalidade que envolva o Estado, a família, a escola e a sociedade civil como um todo.  Aldenora Moraes nos lembra que: “dialogar e orientar a criança sobre o comportamento sexual apropriado a protege dos agressores sexuais.

A educação sexual adequada, de acordo com o desenvolvimento e compreensão da criança, não estimula a sexualidade, mas capacita a criança e o adolescente a compreender as mais diversas situações que podem envolver o abuso” (Moraes, 2020, p.67).  


Os responsáveis pela segurança e pela proteção de crianças e adolescentes somos nós, os adultos. Todos,  todas e todes, em alguma medida, podemos contribuir para o trabalho de prevenção e enfrentamento ao abuso sexual de crianças e de adolescentes. O que você, a sua comunidade, a escola em que você atua, a sua igreja, têm feito sobre este assunto?

 

Indicações de leitura:

Tudo o que você precisa saber para prevenir e enfrentar o abuso sexual de crianças e adolescentes - Aldenora Moraes;

Saúde Mental, Gênero e Dispositivos - Cultura e Processos de Subjetivação - Valeska Zanello;

Sejamos todos feministas - Chimamanda Ngozi Adichie


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