Brinquedos afirmativos e a importância da representatividade | Edição #9
- Lorena Bárbara Santos Costa

- 25 de out. de 2021
- 2 min de leitura
Toda criança gosta de brincar e o brincar é um momento que além de lúdico é também pedagógico. Através do ato de brincar, a criança se expressa, reelabora conceitos, compreende o mundo ao seu redor e constrói a sua identidade a partir da interação com o outro.
Atualmente, o debate acerca da representatividade tem feito parte da indústria de brinquedos no país. A intenção é repensar a sua produção para atingir cada vez mais um público exigente e empoderado acerca da sua identidade e cultura.
Muitas famílias têm buscado os empreendedores que fabricam jogos e brinquedos afirmativos, como alternativa para atender as suas necessidades e para contribuir na educação de seus filhos, tendo em vista que ainda é muito escasso o acesso aos brinquedos afirmativos nas grandes lojas e, quando são encontrados, são completamente inacessíveis e com preços exorbitantes.
Hoje em dia, as meninas negras já não querem ter bonecas apenas brancas, mas também as que se pareçam com elas, com os cabelos crespos, com tranças, com a cor de suas peles. E se o príncipe for negro então?
Olhando de um ponto de vista superficial, parece que não faz muita diferença, só que faz. Para as crianças negras, ter brinquedos que dialoguem com a sua identidade faz toda a diferença na autoestima, ajuda a criança a compreender as diferenças dos grupos étnicos que compõe a nossa sociedade, e possibilita, desde cedo, o debate acerca do racismo estrutural. Crianças não negras podem e devem ter brinquedos afirmativos para que compreendam a diversidade de povos que formaram a nossa cultura e o legado que nos deixaram.
Segundo a organização social Avante, em junho de 2021, apenas 6% das bonecas fabricadas no Brasil eram negras. Esse dado reflete a sociedade em que estamos inseridos, uma sociedade que não reconhece o povo negro, a sua identidade, a sua história, e o seu papel na construção do nosso país.
A negação da representatividade nos brinquedos durante a infância, contribui para o fortalecimento do processo histórico eurocêntrico, enraizado através do processo colonizador escravocrata, que retirou do continente africano milhares de pessoas negras. Por isso, possibilitar que as crianças negras e não negras tenham acesso aos brinquedos afirmativos é romper com as marcas de poder existentes e naturalizadas na nossa sociedade racializada, e contribuir para um mundo cada vez mais sem racismo e para que as pessoas não sejam julgadas pela cor de sua pele.
Referências:
Brougère, G. (2010). Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez.Dornelles, L. V. (2003). O brinquedo e a produção do sujeito infantil. Centro de Documentação e Informação sobre a Criança. Universidade do Minho. Instituto de Estudos da Criança. 2003. Recuperado: 26 out 2021. Disponível: http://cedic.iec.uminho.pt/Textos_de_Trabalho/textos/obrinquedo.pdf >



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