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A representatividade negra e os protestos antirracistas nas Olimpíadas | Edição #6

O debate acerca do racismo durante as Olímpiadas de Tóquio tem sido muito importante para evidenciar a força da negritude nos mais diferentes esportes. Vale destacar que, durante muito tempo, pessoas negras não podiam participar do evento, devido ao fato que os jogos desportivos eram exclusivos da classe privilegiada e dominante.


O primeiro negro a ser campeão olímpico foi Jonh Taylor, atleta norte-americano, vencedor dos 400 metros rasos em 1908 em Londres. Já a primeira mulher negra campeã olímpica foi a norte-americana Alice Coachman, em 1948, no salto em altura feminino também em Londres.

No Brasil, também foram os primeiros medalhistas olímpicos negros nas suas modalidades esportivas o atleta paulista Adhemar Ferreira da Silva, ouro em Helsinque em 1952, o pugilista Servílio de Oliveira, medalha de Bronze em Londres em 1968, o atleta Joaquim Cruz, medalha de ouro em 1984 em Los Angeles, o nadador baiano Edvaldo Valério em 2000, bronze em Sidney, a judoca Rafaela Silva, medalha de ouro em 2016 nas Olímpiadas do Rio.

Passados 152 anos desde os primeiros jogos olímpicos modernos em 1896, a presença das pessoas negras nos esportes tem sido cada vez maior. Porém, ainda faltam muitos investimentos para que essas pessoas acessem os jogos desportivos considerados elitistas como hipismo, esgrima, tênis, natação ou iatismo.

Alguns atos antirracistas marcaram as olímpiadas em diferentes momentos. Em 1968, os atletas americanos Tommie Smith e Jonh Carlos, vencedores olímpicos do atletismo nas Olimpíadas do México, ergueram as mãos com os punhos cerrados, ao subirem no pódio, usando luvas pretas, em um protesto contra o racismo. O símbolo era uma linguagem do movimento Black Power na época.


Em 2021, em Tóquio, as seleções femininas de futebol do Chile, EUA, Grã-Bretanha, Suécia e Nova Zelândia se ajoelharam no campo antes do início das partidas. O gesto utilizado é um símbolo antirracista que se popularizou após a morte de George Floyd em Minneapolis nos EUA, em maio de 2020 - morto pelo policial branco Derek Chauvin, que se ajoelhou em seu pescoço por mais de nove minutos durante uma abordagem policial.

Nas Olímpiadas de Tóquio, atletas como as ginastas negras Rebeca Andrade e Simone Biles, se destacaram nas mídias e redes sociais. Simone Biles deu um show de exemplo ao desistir de continuar na disputa olímpica, em prol do respeito a sua saúde mental e levanta um importante debate mundial sobre até quando devemos extrapolar os nossos limites.

A vitória de Rebeca Andrade, além de nos encher de orgulho por ser a primeira mulher (e negra) a ganhar uma medalha para a ginástica olímpica brasileira, abre - para meninas que, assim como ela, são de origem humilde, de periferia, criada por mãe solo, da classe popular, negra - a possibilidade de sonhar e acreditar que é possível vencer, desde que se tenha oportunidades através das políticas públicas e financiamentos como o programa bolsa atleta para dar continuidade na vida de atleta profissional. A escolha da música “Baile de Favela”, do MC João, para apresentação da ginasta, também crava, de forma simbólica no peito dos racistas preconceituosos, que a favela tem força, identidade, ritmo, dança, estilo, garra e muita cultura.


Outro destaque é o pugilista negro Abner Teixeira, de 24 anos, que já garantiu uma medalha que será disputada nos próximos dias e também a pugilista Bia Ferreira, já nas quartas de finais. Até lá, vamos torcer pelos nossos atletas brasileiros e pelo fim do racismo em nossa sociedade.

Referências bibliográficas:

DA MATA, R. Digressão: A Fábula das Três Raças, ou o Problema do Racismo à Brasileira. IN DA MATA. Relativizando: uma Introdução á Antropologia Social. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.

SOUZA, Neusa. Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro: Graal, 1983.


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