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A música como ferramenta pedagógica | Edição #4

Até pode existir, mas que difícil seria encontrar alguém que não gosta de ouvir nenhum estilo musical! Tem ritmo que toca o nosso coração, álbuns que nos trazem lembranças, sons que nos fazem querer dançar, canções que nos inspiram e até podemos dizer que as músicas modulam o nosso humor. Mas e se, além disso tudo, elas também fizessem parte da nossa rotina na escola?



No início deste mês, o Fique Bem realizou um encontro ousado, entre dois profissionais que usam a música como ferramenta pedagógica. Apesar de integrarem universos totalmente diferentes — um lida com jovens do sistema socioeducativo e outra trabalha com crianças do primeiro setênio —  ambos falam a mesma língua: a linguagem universal da música.

Eleito em 2020 um dos melhores professores do mundo, o professor Francisco Celso é o mentor intelectual do Projeto RAP (Ressocialização, Autonomia e Protagonismo) no Distrito Federal. Neste projeto, ele usa o rap como pretexto para discutir temas transversais — como sustentabilidade, diversidade e direitos humanos — com jovens em situação de privação de liberdade que estejam cumprindo medidas socioeducativas.


O professor conta que, apesar de não ser musicista  —  e confessar não ter o menor talento para cantar — foi DJ quando tinha 12 anos e sempre gostou muito de ouvir música. Segundo ele, por volta dos 15 anos de idade, em uma aula de Geografia, sua professora na época usou o Rap da Felicidade para engajar os alunos em uma aula sobre desigualdade social. 


O episódio marcou tanto a sua memória que, depois de formado em História e pronto para ser professor, Francisco não hesitou em usar as músicas como ferramentas pedagógicas. “A linguagem artística toca muito mais o coração dos outros que um discurso eloquente”, afirma ele, que optou pelo rap, devido o contexto social dos seus alunos.

Nossa segunda convidada foi a professora Cris Barone, criadora e idealizadora da Escola Harmonia de musicalização infantil. Há 26 anos na área, a professora encanta as pequenas e os pequenos de até sete anos de idade, introduzindo-os ao mundo ritmado.

 

A professora afirma que, desde pequena, estuda música. Porém, só descobriu a musicalização infantil como a sua paixão mais tarde, quando começou a lecionar. De acordo com ela, muitos fonoaudiólogos, pediatras e até psicólogos encaminham crianças e bebês para sessões de musicalização, na busca de facilitar a expressão e estimular a comunicação dos pequenos. 

 

A live de uma hora passou rápida demais, mas foi o suficiente para que todos que a acompanharam tivessem uma visão clara do trabalho dos convidados e, muito provavelmente, se encantassem pelos dois. Para Francisco, inclusive, encantar em tão pouco tempo é uma rotina. Afinal, elaborar uma aula para o sistema socioeducativo é muito diferente de elaborá-la para o sistema escolar. Por ser muito rotativo, conta ele, o professor precisa tocar a turma em um único encontro.

Francisco não é rapper, mas entende e defende a importância do ritmo musical. Segundo o professor, privados de liberdade, seus alunos passam por um cruel silenciamento da voz e do corpo, o que é quebrado com o microfone aberto e as atividades que promove. “O rap é significativo no contexto que eu estou. Quem faz o projeto RAP não é o professor Francisco, são os jovens, os adolescentes”, comenta. “Eu não tô fazendo nada, eles que estão fazendo, eu só estou mediando”, completa.

 

Com as crianças pequenas, embora o trabalho seja bem diferente, Cris afirma que, no contexto da pandemia, muitas coisas não cabem mais na aula, mas os pequenos também estão com a necessidade de contar as coisas, de se expressar, de compartilhar o que vivem e o que sentem. “As crianças estão precisando desse momento para se expor, para falar”, alerta. 

 

No vídeo completo com a live, além de toda a troca de experiências, você vai encontrar uma atividade de percussão superdivertida com a professora Cris e um videoclipe gravado pelos jovens alunos do professor Francisco. O encontro está imperdível! Assista, se encante, cante e se expresse. 

Quem sabe a música não é a ferramenta pedagógica que estava faltando para você e seus alunos?

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