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A escola na prevenção e enfrentamento do abuso sexual infantojuvenil | Edição #5

Existem assuntos difíceis de serem conversados e nós, como professores, bem sabemos disso. Contudo, se não falamos sobre o problema, se não refletimos sobre qual é o nosso papel no caminho da resolução e se nos omitimos, estamos assumindo o risco e, por conta disso, nos colocando a favor dos opressores. Dito isso, entramos no tema da nossa terceira live do mês: o abuso sexual de crianças e adolescentes. Afinal, qual é o papel da escola nessa luta?

Antes de começar a falar sobre o encontro, precisamos ser claros: não é função do professor assumir a posição de investigador, arriscar seu trabalho ou interrogar alunos e pais a respeito do que acontece fora da sala de aula. “Em nenhum momento, a gente vai estar fazendo o papel de policial. Não somos preparados para isso. Esse tipo de abordagem é só para a televisão”, reforça a nossa convidada. “Não dê uma de investigador! Existe uma rede de proteção à criança e ao adolescente e cada um de nós vai assumir um papel nessa rede”, conclui.


Ela é professora e jornalista. Tem mestrado em Comunicação com ênfase na abordagem da mídia sobre o abuso sexual de crianças e adolescentes. Aldenora Moraes, nossa convidada, trabalha na assessoria de comunicação da Secretaria de Educação do Distrito Federal e apresenta o podcast Educa DF da rede pública de ensino. Mas, além disso tudo, ela é autora do livro “Tudo o que você precisa saber para prevenir e enfrentar o abuso sexual de crianças e adolescentes”. Foi uma honra recebê-la no Fique Bem e poder aprender tanto com ela.




“O abuso sexual é quando um adulto, ou mesmo um adolescente, submete uma criança ou um adolescente a práticas sexuais. Essas práticas sexuais não necessariamente precisam ter contato físico, ou seja, não é necessária a penetração vaginal, anal ou o que quer que seja. Mesmo quando um adulto ou um adolescente mostra um vídeo pornográfico, pelo WhatsApp, para uma criança, essa pessoa já está cometendo um abuso sexual e isso já é um crime”, esclarece a professora.

Se não devemos nos basear naquele filme ou série de TV que mostra um professor extremamente envolvido na investigação de um caso de abuso, o que, então, espera-se de nós quando há a suspeita ou a confirmação de um crime como esse envolvendo os nossos alunos? A resposta é direta: devemos, por lei, nos manifestar, reportar a situação à coordenação e à direção da escola, que, por sua vez, entrarão em contato com o Conselho Tutelar ou outro órgão responsável e preparado para lidar com o caso.

Segundo Aldenora, o professor nunca deve chamar o pai ou a mãe da criança para conversar sobre esse assunto em caso de suspeita. Afinal, muitas vezes, o agressor é uma pessoa próxima da criança, como o próprio pai, a mãe ou algum outro parente. Nesses casos, um contato direto do professor com os pais pode resultar em uma piora da situação para a criança, um agravo da violência ou ainda a fuga, com pais que simplesmente mudam de escola, de município e perpetuam o crime.

Aldenora reforça, contudo, que o professor precisa estar preparado para lidar com situações como essas, saber como reagir, a quem recorrer e não se desesperar ou temer acusar alguém sem provas. “A escola é um espaço privilegiado. Muitas vezes, é naquele ambiente que a criança vai se sentir confiante para contar algo que está acontecendo na casa dela”, afirma.

“É nossa função relatar a situação à direção da escola. Feito isso, o trabalho do professor foi realizado. E não devemos temer fazer relatos quando ainda estamos apenas no campo da suspeita. Afinal, na maioria das vezes, vai haver investigação. Mesmo em casos de suspeita, é necessário denunciar à direção da escola e, assim, os responsáveis por investigações vão dar andamento ao caso”, reafirma.

 

Saiba tudo sobre o assunto assistindo ao vídeo completo da nossa live. Mais do que nunca, durante a pandemia, a gente viu a importância da escola na prevenção e na denúncia de casos de abuso. Que estejamos preparados — e não pressionados — para lidar com situações como essas. Afinal, se fizemos nossa parte, mesmo que pareça pouco, estaremos salvando vidas e infâncias.

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