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Racismo na Infância | Edição #3

O que fazer quando uma criança negra se queixa dizendo que um coleguinha a chamou de cabelo duro, feio, de bruxa fedorenta e outros termos pejorativos?

O que fazer quando uma criança negra sempre se queixa que foi impedida de participar das brincadeiras coletivas na escola?

O que fazer quando uma criança negra começa a não aceitar os seus traços físicos e pede para mudar o seu cabelo, a sua cor de pele ou se parecer com alguma pessoa de etnia diferente?

O que fazer quando uma criança negra questiona que seus brinquedos nunca possuem as suas características?

Infelizmente, situações como essas citadas acima fazem parte da realidade de muitas crianças negras e nem sempre seus familiares sabem como agir.

As pesquisas da área da Psicologia têm apontado os efeitos colaterais do racismo na infância. Crianças que são vítimas de racismo tendem a sofrer de ansiedade, apresentam baixa autoestima, dificuldade de socialização e aprendizagem, negam a própria identidade e inclusive em alguns casos podem até apresentar quadro de depressão.

O papel da escola é de fundamental importância no combate ao racismo na escola, porém, não pode ser a única responsável. É importante que a família crie condições para que cada criança seja educada, amada, protegida, tratada com dignidade e que aprenda desde cedo a respeitar e a conviver com as diferenças. Afinal, a criança reproduz o racismo que aprende com as pessoas que ela convive.

A escola deve garantir a aplicabilidade das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que garantem o ensino sobre a cultura africana e indígena no currículo escolar respectivamente. É preciso promover ações pedagógicas que fomentem o legado dos povos africanos e indígenas na construção da sociedade brasileira, a fim de ajudar os estudantes a se tornarem cidadãos críticos, capazes de viverem e conviverem em uma sociedade democrática.

Não podemos permitir que as crianças negras continuem sendo silenciadas, violentadas, marginalizadas e também assassinadas pelo racismo estrutural em nosso país.

Conforme o nosso saudoso Nelson Mandela, “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”.

Sendo assim, o que podemos fazer para contribuir com uma infância sem racismo?

  • Converse com as crianças sobre a existência de diferentes etnias e culturas.

  • Elogie as características das pessoas negras e indígenas.

  • Ensine sobre a importância de se respeitar e valorizar as diferenças.

  • Consuma brinquedos afirmativos para contribuir com a formação da identidade da criança negra e também não negra.

  • Não se cale diante de um caso de racismo na infância. Defenda e Denuncie. A violência racial contra uma criança negra não pode ser normalizada.

  • Promova leituras sobre a cultura africana, indígena e também de outros povos. Hoje em dia já temos disponíveis maravilhosos livros sobre as temáticas.

  • Pesquise e brinque com as crianças sobre jogos e brincadeiras dos povos africanos e indígenas.

  • Descolonize-se! Procure saber sobre a produção de saberes e conhecimentos produzidos pelas pessoas negras e indígenas e converse com as crianças.

  • Questione o ensino da escola de seu filho ou filha. Exija um ensino intercultural.

  • Desconstrua o mito da superioridade racial das crianças brancas, conversando que, apesar de todas as crianças possuírem os mesmos direitos, muitas crianças negras não têm os seus direitos respeitados.

 

Para combater o racismo na infância, é preciso engajamento de toda a sociedade brasileira, a partir da conscientização de cada cidadão e cidadã do seu papel na luta contra a opressão e desigualdade social.

 

Referências

ANDRADE, V. e BRUNO, E. Nelson Mandela por ele mesmo. São Paulo: Martin Claret, 1991.

ARAÚJO, Ana Valéria (Org.). Povos Indígenas e a Lei dos Brancos: o direito à diferença. Brasília: MEC/SECAD; LACED/Museu Nacional, 2006.

CAVALLEIRO, Eliane dos Santos. Do Silêncio Do Lar Ao Silêncio Escolar: Racismo, Preconceito E Discriminação Na Educação Infantil. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2012.

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Material Pedagógico


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