top of page

A escola está preparada para lidar com questões LGBTQIA+? | Edição #8

Muito se fala sobre representatividade, diversidade e sobre a pluralidade de pensamentos, vidas e experiências que existe dentro da escola. Trata-se de um debate sempre importante e urgente, pois, quando um estudante não consegue se encontrar no mundo social descrito pelos professores, é como se ele não existisse. E se ele não existe, estudar para quê? Portanto, falar de diversidade é construir um ambiente fértil para o aprendizado e é, ainda, um mecanismo para evitar a evasão escolar.

Em julho, tivemos uma Live Fique Bem super produtiva sobre diversidade. Contudo, dada a extensão e a complexidade do assunto, decidimos realizar um novo encontro, agora em setembro, focado em uma das tantas perguntas levantadas quando falamos em diversidade na educação: afinal, a escola está pronta para lidar com as questões LGBTQIA+?



Para falar sobre esse assunto nada simples, chamamos dois convidados para a nossa primeira live de setembro: Leonardo Café e Carú de Paula. Carú é uma pessoa transgênero, que atua na psicologia, se aventura na poesia e se compromete com um mundo melhor a partir do ativismo LGBTQIA+. Por sua vez, Leo é um gay professor (reforça a ordem do termo, pois é primeiro gay e depois se fez docente), escritor, linguista, que atua na área de formação de profissionais da educação nos eixos de Direitos Humanos e Diversidades. Um encontro impactante! 


“O que nos gera sofrimento não é a nossa existência. É um mundo que implica certas coisas à nossa existência”, diz Carú, que atua na Acolhe, uma plataforma que já conectou mais de 1400 pessoas LGBTQIA+ que precisavam de acolhimento psicológico com profissionais que toparam ajudá-las de forma voluntária. “O que a gente tem que ficar negociando é a própria vida. E a escola é o primeiro lugar onde encontramos essas violências. Eu só estou tentando dar conta da minha existência e dos próximos”, continua Carú.


“A escola é um espaço potente, mas também é um campo de opressão. Ou seja, ela produz, reproduz, mantém e propaga discursos. Discursos que se retroalimentam fora da escola”, aponta Leonardo. “Tem problema ser um homem-cis-hetero-branco-cristão? Não. Mas a questão é que esse é apenas um dos recortes da nossa existência, um dos discursos. Cadê os outros?”, provoca.

“Queira ou não, o discurso sempre é racializado e sexualizado. A gente tenta apagar as contradições, mas as contradições são importantes. A escola tenta apagar essas contradições, mas precisava era ressaltá-las. Elas têm que vir à tona para a gente conseguir criar um contradiscurso que vai para fora da escola. Uma mudança discursiva impacta e produz uma mudança social”, ensina o professor que se encontrou na análise do discurso.

Na conversa com essas duas feras, percebemos que, talvez, a escola não saiba as respostas corretas para lidar com questões LGBTQIA+ porque, até hoje, muitos de nós não tínhamos feito as perguntas certas. Por exemplo, ao invés de nos perguntarmos como lidar com uma criança que, desde cedo, traz sinais de transgeneridade, por que não nos questionamos se isso é, de fato uma incongruência? Quem disse que ser cisgênero é o natural?

“O quanto a gente permite que uma criança seja uma criança, sem antes implicar um gênero nelas? Em algum momento se dividiu a experiência de estar vivo do ser humano com o resto do que é vivo na terra. Nessa lógica de mundo, esse dito humano, supostamente universal, se manifesta de uma só maneira, a maneira certa. Porém, esse movimento de dividir o que é viver da maneira certa e errada é muito danoso”, relembra Carú.

Sabemos que o assunto pode ser — ou parecer — espinhoso para muitos de nós, professores. Somos diversos e, enquanto alguns são familiarizados com essas discussões, outros ainda não tiveram esse contato. Tudo bem. Mas lembre-se que esse é um assunto necessário para a construção de um ambiente seguro e saudável de aprendizado, para professores e alunos. Logo, o nosso convite vem desse lugar de carinho: dê o play no vídeo, reflita a cada fala e busque aprender com quem vivencia as questões LGBTQIA+. Você não vai se arrepender!


Comentários


​© Gaia+ 2023

Rua Dona Santina, 291 - São Luiz

Piracicaba - SP

(19) 3302-5916

fiquebem@gaiamais.org

CNPJ: 21.354.603/0001-61

fiquebem_logo 2023_branca_01.png
  • youtube-logo
  • instagram-logo
  • telegram-logo
bottom of page